Coronavírus: moradores fogemonabet indicaçãocidades na Amazônia para ter comida e segurança sanitáriaonabet indicaçãocomunidades ribeirinhas:onabet indicação

  • João Fellet - @joaofellet
  • Da BBC Brasilonabet indicaçãoSão Paulo
Junto da esposa, grávida, Higor Cazimiro deixou Altamira rumo àonabet indicaçãocomunidade natal, na Resex Rio Xingu, para fugir da pandemia

Crédito, Arquivo Pessoal

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Junto da esposa, grávida, Higor Cazimiro deixou Altamira rumo àonabet indicaçãocomunidade natal, na Resex Rio Xingu, para fugir da pandemia

onabet indicação Cercaonabet indicação30 quilômetros percorridosonabet indicaçãouma viagemonabet indicaçãoduas horas e meiaonabet indicaçãobarco pela floresta separam regiões que reagemonabet indicaçãomaneiras diametralmente opostas à covid-19 na Amazônia.

Em uma das pontas do trajeto, a cidade paraenseonabet indicaçãoSantarém tem 100% dos leitosonabet indicaçãoUTI ocupados, lockdown para moradores e uma legiãoonabet indicaçãotrabalhadores empobrecidos pelos negócios encerrados na pandemia.

Na outra ponta,onabet indicaçãocomunidades ribeirinhas do rio Arapiuns, não há por ora registroonabet indicaçãoinfecções, moradores circulam pelas casas vizinhas, e a floresta garante alimentação abundante às famílias.

Não por acaso, comunidades à beira do Arapiuns — um afluente do Tapajós — eonabet indicaçãovários outros rios da Amazônia acolheram muitos moradoresonabet indicaçãocidades golpeadas pela covid-19 na região, como Santarém, Manaus e Belém.

Vários deles migraram para zonas urbanas nos últimos anos atrásonabet indicaçãotrabalho e estudos, e agora voltam para as casasonabet indicaçãoparentesonabet indicaçãobuscaonabet indicaçãoproteção contra o vírus e a crise econômica causada pela pandemia.

"Temos visto aqui na região um êxodoonabet indicaçãopessoas das cidades rumo ao interior", diz à BBC News Brasil o médico neurocirurgião Erik Jennings Simões, que moraonabet indicaçãoSantarém e tem longa experiência no atendimentoonabet indicaçãocomunidades indígenas e ribeirinhas da região.

Na comunidade Nova Sociedade, um dos povoados no Arapiuns onde ele esteve nos últimos dias, ouviuonabet indicaçãoum morador que as casas nunca estiveram tão cheias — tantoonabet indicaçãomigrantes retornados quantoonabet indicaçãofamiliares nascidos nas cidadesonabet indicaçãobuscaonabet indicaçãorefúgio.

Ele afirma que a maioria das pessoas se deslocou antes da explosãoonabet indicaçãocasos na região, o que tem impedido a entrada do vírus nas comunidades até agora. Conforme a pandemia se agravou nas áreas urbanas, vários povoados passaram a proibir novas chegadas.

Segundo o médico, os cenários radicalmente distintos vividos por cidades amazônicas e parte das comunidades ribeirinhas "mostram a necessidadeonabet indicaçãopensarmos a floresta como um fatoronabet indicaçãosegurança epidemiológica".

"Quando preservada, a Amazônia pode garantir segurança alimentar e sanitáriaonabet indicaçãoeventos desse tipo", afirma.

Reservas extrativistas

A partironabet indicaçãoum barco, profissional todo cobertoonabet indicaçãojaleco examina mulheronabet indicaçãooutro barcoonabet indicaçãomadeira,onabet indicaçãorio da Amazônia

Crédito, TARSO SARRAF/AFP via Getty Images

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Profissional checa temperaturaonabet indicaçãomulher na Ilha do Marajó, no Pará

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No sudoeste paraense, comunidades ribeirinhasonabet indicaçãotrês Reservas Extrativistas (Resex) na região do Médio Xingu também receberam antigos moradores e parentes que fugiram da pandemiaonabet indicaçãocidades.

A região ocupa cercaonabet indicação8 milhõesonabet indicaçãohectares — o equivalente a dois Estados do Rioonabet indicaçãoJaneiro — e é habitada por 450 famílias dispersas pelas margensonabet indicaçãorios e igarapés.

Morador da cidadeonabet indicaçãoAltamira desde 2017, após ingressar no cursoonabet indicaçãoEtnodesenvolvimento da Universidade Federal do Pará (UFPA), Higor Cazimiro,onabet indicação20 anos, voltou paraonabet indicaçãocomunidade natal, na Reserva Extrativista Rio Xingu, assim que foram registrados os primeiros casosonabet indicaçãocovid-19 no Brasil,onabet indicaçãomarço.

Ele diz à BBC News Brasil queonabet indicaçãomaior preocupação era queonabet indicaçãoesposa, grávida do segundo filho do casal, adoecesse na gestação. Eles pretendem viajar para Altamira só na véspera do parto, já que não há hospitais na Resex, e retornar para a comunidadeonabet indicaçãoseguida.

O estudante compara a rotina na reserva à quarentenaonabet indicaçãoAltamira: "Lá tem que ficar trancado, não pode ir visitar amigo, parente. Aqui é totalmente diferente: pode sair para a roça, pode nadar no rio, pode ir na casa do vizinho, pode brincaronabet indicaçãobola."

"Aqui a gente é livre, só não pode ir para a cidade se contaminar", ressalva.

Substituiçãoonabet indicaçãoingredientes

Cazimiro diz que a comunidade é quase autossuficienteonabet indicaçãoalimentos, pois nas últimas décadas incorporou alguns itens vindos da cidade, como arroz, feijão e café.

Os produtos são adquiridos coletivamente por uma associação comunitária e levados a um entreposto dentro da Resex, onde as famílias podem comprá-los ou trocá-los por produtos da floresta, como castanhas, borracha e óleoonabet indicaçãocopaíba.

Há 27 entrepostos desse tipo — conhecidos como cantinas — na região da Terra do Meio, que engloba as reservas extrativistas e terras indígenas do Médio Xingu.

Cazimiro afirma que a pandemia limitou a ofertaonabet indicaçãoprodutos da cidade na reserva, pois houve uma redução das viagens a Altamira para repor o estoque.

Ele diz que alguns moradores têm contornado as restrições resgatando práticas culinárias antigas, substituindo produtos industrializados por ingredientes locais. No lugaronabet indicaçãofarinhaonabet indicaçãotrigo e óleoonabet indicaçãosoja, por exemplo, entram a farinha e o óleo do babaçu.

Cazimiro diz que a farturaonabet indicaçãoalimentos na floresta os deixaonabet indicaçãosituação bem mais confortável que aonabet indicaçãomoradores pobres nas cidades, dependentesonabet indicaçãotrabalhos cada vez mais escassos e carentesonabet indicaçãoredes comunitáriasonabet indicaçãoapoio.

"Aqui, se precisar, a gente entra na mata e vai atrásonabet indicaçãouma caça, a gente vai no rio e pega um peixe, a gente bate na porta do vizinho e pede uma farinha. Na cidade, você não tem como comprar, ainda mais agora que não estamos num momento bomonabet indicaçãoemprego", afirma.

Contato com parentes

Joelmir e mulher mais velhaonabet indicaçãobarco a remo

Crédito, Arquivo pessoal/Joelmir Silva

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Joelmir Silva e Silva se mudou para a cidade para cursar a universidade, mas voltou paraonabet indicaçãocomunidade natal no rio Iriri até a pandemia perder força

Também estudante universitário, Joelmir Silva e Silva deixou Altamira para se proteger da pandemia juntoonabet indicaçãofamiliares na comunidade Maribel, no rio Iriri.

"Seria muito depressivo ficar o tempo todo dentroonabet indicaçãoum quarto e só conversar com as pessoas que moram com a gente", afirma.

Silva diz que tem se deslocado pela região para alertar moradores sobre a gravidade da covid-19 e ajudá-los a se cadastrar no programa do governo que garante auxílioonabet indicaçãoR$ 600 durante a pandemia.

"Graças a Deus, a gente tem nossa comunidade, o nosso povo, que nos recebeu tão bem. Fico preocupado com outras pessoas que não têm acesso a lugares como esse para se resguardar desse vírus."

Outra moradoraonabet indicaçãoAltamira, a microscopista Dinalva Batista Camilo viajou com o marido e três filhos paraonabet indicaçãocomunidade natal, na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, até a poeira baixar.

"A gente não tem que usar máscara, luva, álcool gel. Você pode sair e voltar para casa sem aquela correriaonabet indicaçãoteronabet indicaçãotomar banho e trocaronabet indicaçãoroupa logo que chega", compara.

Ela diz que a região tem conseguido barrar o vírus graças ao forte controle exercido por líderes comunitários.

"Aqui só estão pessoas que entraram há maisonabet indicação30 dias e o povo que mora na comunidade. Só entra e sai quem eles deixarem", afirma.

Fluxo migratório

Assessor técnico das associações que gerem as três Reservas Extrativistas, Naldo Lima endossa o sucesso da estratégia.

Ele afirma que as organizações proibiram a chegadaonabet indicaçãonovos visitantes há várias semanas e suspenderam o trânsitoonabet indicaçãobarcosonabet indicaçãonão moradores. As restrições valem até o fim do mês, quando serão reavaliadas.

Lima diz que as associações têm rejeitado até pedidosonabet indicaçãoantigos moradores que,onabet indicaçãomeio à pandemia, resolveram voltaronabet indicaçãodefinitivo para as reservas.

"Os que estão hoje nas comunidades sabem que não podem nem sair para Altamira, porque a comunidade não vai aprovar que eles voltem", diz.

Joelmir e outro homemonabet indicaçãocozinha externa com fogão à lenha

Crédito, Arquivo pessoal/Joelmir Silva

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Rotina na comunidade Maribel inclui visitas a vizinhos e parentes

Ele afirma que muitas pessoas que cogitam retornar às comunidades deixaram o território até 2008, quando ainda não existiam escolas nas reservas e as famílias migravam para Altamira para que os filhos pudessem estudar.

Na cidade, a maioria dos ribeirinhos assumiu trabalhos informais: as mulheres viraram faxineiras e empregadas domésticas, e os homens, estivadores e operários da construção civil.

Com a aberturaonabet indicaçãoescolas nas reservas, segundo Lima, o movimento migratório esfriou. Hoje ele diz que os ribeirinhos que deixam o território o fazemonabet indicaçãobuscaonabet indicaçãomelhores serviços médicos ouonabet indicaçãocursar uma universidade.

Cada reserva tem um só postoonabet indicaçãosaúde com um técnicoonabet indicaçãoenfermagem, equipado apenas para o atendimentoonabet indicaçãocasos simples. Em comunidades mais afastadas, diz ele, pacientes com doenças crônicas têmonabet indicaçãose deslocar por até dois diasonabet indicaçãobarco até hospitaisonabet indicaçãoAltamira.

Todos os migrantes entrevistados disseram que, se houvesse formasonabet indicaçãocursar o ensino superior e acessar melhores serviçosonabet indicaçãosaúde nos territórios, voltariamonabet indicaçãodefinitivo.

"Esse é o ambiente onde a gente nasceu e se criou, nossa raiz está enterrada aqui. Se os serviços públicos fossem um pouco melhores, eu nunca teria saído", diz Higor Cazimiro.

Descentralização da medicina

Para o médico Erik Jennings Simões, a covid-19 tem mostrado que foi um erro concentrar o sistema médico-hospitalar da Amazônia nas grandes zonas urbanas.

Sem UTIs nem condiçõesonabet indicaçãorealizar cirurgias simples, municípios do interior têmonabet indicaçãomandar pacientes para cidades cujos hospitais já viviam sobrecarregados antes da pandemia.

"Nós nos concentramos nas cidades maiores e nos esquecemosonabet indicaçãolevar a saúde até as comunidades para evitar que elas viessem até a cidade", afirma.

Simões diz que já há tecnologia para realizar cirurgiasonabet indicaçãomédia e até alta complexidade foraonabet indicaçãograndes hospitais, assim como tratar doenças crônicas e fazer examesonabet indicaçãosangue.

O médico participaonabet indicaçãouma iniciativaonabet indicaçãocurso voltada ao combate à covid-19 que, segundo ele espera, poderá servironabet indicaçãomodelo para uma reestruturação da atenção médico-hospitalar na região no futuro.

Coordenada pela ONG Expedicionários da Saúde e financiada por doadores, entre os quais o Instituto Socioambiental (ISA), o projeto está instalando enfermarias para atender pacientes e covid-19onabet indicaçãoaté média gravidadeonabet indicaçãopolosonabet indicaçãosaúde já existentesonabet indicaçãoterras indígenas na região do Tapajós e do Alto Rio Negro.

As enfermarias são equipadas com concentradoresonabet indicaçãooxigênio, aparelhos portáteis normalmente usados no tratamentoonabet indicaçãoenfisema pulmonar. Não substituem respiradores, mas podem auxiliar pacientes com problemas moderadosonabet indicaçãooxigenação causada pela covid-19.

"É uma descentralização que eu defendo há 18 anos e que fomos obrigados a fazer no contexto do coronavírus", diz Simões.

"Primeiro, porque não tem vaga nas cidades; segundo, porque quando você retira as pessoas dos seus territórios, pode causar mais agressão do que a própria doença", afirma.

"É um começo."

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