'Governos militares foram antidemocráticos, mas mais nacionalistas que o atual', diz Manuela D'Ávila:cbet gg 3
Nas duas vezescbet gg 3que concorreu a um cargo no Executivo, a prefeitura da capital gaúcha, foi derrotada.
Desde o início do ano, a deputada está percorrendo o país para se apresentar como alguém que representa a renovação na política "sem negá-la ou fazer cara feia para ela".
Em passagem por São Paulo, Manuela disse à BBC Brasil que as mudanças no sistemacbet gg 3financiamentocbet gg 3campanha favorecemcbet gg 3campanha.
Em pouco maiscbet gg 3uma hora, na companhiacbet gg 3sua filha Laura,cbet gg 32 anos e meio - que com frequência a acompanha na agendacbet gg 3candidata -, ela detalhou algumascbet gg 3suas propostas. A seguir, os principais trechos da entrevista.
cbet gg 3 BBC Brasil - Desde 1989, o PCdoB apoia o PT. O que levou o partido a mudarcbet gg 3posição e sair da sombra do PT?
cbet gg 3 Manuela d'Ávila - Não é sair da sombra. Desde 1989, estávamos empenhados na continuidade desse projeto (do PT). Avaliamos que, com o impeachment - que qualificamos como golpe, porque não houve crimecbet gg 3responsabilidade - abriu-se um novo ciclo político. As eleições são o espaço mais importante para apresentarmos perspectivascbet gg 3rumos para o país enfrentar as crises econômica e política.
cbet gg 3 BBC Brasil - Lula a elogiou muito no último ato antescbet gg 3ser preso. A senhora se vê como herdeiracbet gg 3seu legado político?
cbet gg 3 Manuela - Óbvio que qualquer pré-candidato da esquerda gostariacbet gg 3dizer que sim. Mas não seria uma resposta verdadeira. Vejo os elogios como um gesto políticocbet gg 3reconhecimento do presidente à nossa solidariedade e à nossa lutacbet gg 3defesa da democracia. Mas o legado do Lula não é um legado do PT. O que o presidente Lula construiu, ele construiu com o esforçocbet gg 3gerações do povo brasileiro, anteriores a ele e que seguirão posteriormente a ele. Eu, num certo sentido, faço partecbet gg 3uma geração que já recebe o legadocbet gg 3múltiplos atores do meu campo político - Lula entre eles.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora tem entre 1 e 3% das intençõescbet gg 3votos, segundo as pesquisas mais recentes. Seria uma candidatura para marcar posição?
cbet gg 3 Manuela - Evidentemente não. Sou candidata há pouquíssimo tempo. Nosso resultado nas pesquisas é melhor do que isso. Temos excelente performance entre os jovens, que são quem já têm acesso à candidaturacbet gg 3função da única ferramenta que temos agora, as redes sociais. Entre quem tem 16 e 24 anos, por exemplo, temos 5% no território nacional. No meu Estado, na região Sul, já chegamos a 7 ou 8%.
cbet gg 3 BBC Brasil - O governador Flavio Dino, membro do seu partido, defendeu a unidade da esquerda na eleição. Foi um recado para a senhora? Existe unidade do seu partidocbet gg 3torno dacbet gg 3candidatura?
cbet gg 3 Manuela - A unidade é absoluta. Meu nome foi escolhido por aclamação pela direção nacional do PCdoB. Já temos esforço gigantesco para a construção dessa unidade a partir dos programascbet gg 3governo. PCdoB, PT, PDT, PSB e PSOL construíram um programa mínimo para desenvolvimento nacional. Isso é inédito. Mas qual caminho o PT seguirá? E o PSOL? Não depende sócbet gg 3nós construir essa unidade, muito embora nos esforcemos para que se materialize.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora diz representar uma renovação na política, mas já disputou seis eleições, é representantecbet gg 3um partido tradicional e que até há pouco tempo estava na base do governo. Não é uma contradição?
cbet gg 3 Manuela - Não. A renovação da política só pode ser feita por quem não a nega. Não acredito que o Brasil vai ser transformado a partircbet gg 3tuítescbet gg 3magistrados, por rompantescbet gg 3personalidades que acham que vão salvar a pátria. Concorri todas as minhas eleições por um partido que nunca tinha eleito ninguém para os cargos que disputei. Renovar a política não é fazer cara feia para ela. É estar lá dentro enfrentando, como fiz por dez anoscbet gg 3Brasília sem me corromper.

cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora disse recentemente ser contrária à "sustentabilidade ingênua" e que não se pode tratar a Amazônia como um santuário enquanto outros países se desenvolvem explorando os nosso recursos. De que maneira eles podem ser explorados? Minérios? Acha válido desmatarcbet gg 3alguma circunstância?
cbet gg 3 Manuela - A gente precisa entender que a região amazônica não é um bibelô do restante do Brasil. Quem vivecbet gg 3Porto Alegre, São Paulo, Rio, com acesso a postocbet gg 3saúde e escola, não pode olhar para a população indígena, para os ribeirinhos como se eles tivessem que se sustentar do ar. Não admito que exista uma terra absolutamente rica com um povo absolutamente pobrecbet gg 3cima dela.
Para mim, a Amazônia é parte estruturante das saídas para o desenvolvimento nacional. Quando falo da visão santuarista da Amazônia, me refiro a deixar a floresta simplesmente ali, ignorando as carências dos seus povos, a ausência do Estado e da integração asfáltica daquela região com o resto do Brasil - mesmo que ela se integre por terra até o Canadá. A florestacbet gg 3pé é alternativa para o desenvolvimento brasileiro. Nela podem estar riquezas para que a gente desenvolva uma indústriacbet gg 3saúde ou belezacbet gg 3ponta, que gerem empregos, agreguem valor. A Zona Francacbet gg 3Manaus é uma prova emblemática disso.
cbet gg 3 BBC Brasil - Esse discurso sobre a integração da Amazônia não remete ao lema "integrar para não entregar" (da ditadura militar)? De que maneira suas visões diferem desta visão, que é muito presentecbet gg 3círculos militares e inclusive parte da proposta do deputado Jair Bolsonaro?
cbet gg 3 Manuela - Acho que é forçado tentar um vínculo com o período militar e o deputado Jair Bolsonaro, que não apresenta propostas, tanto que não é respeitado pelo conjunto das Forças Armadas que tem compromisso com a Constituição. Os militares fizeram governos antidemocráticos, que perseguiram meu partido, mas tinham algumas visões mais nacionalistas que o governo atual.
cbet gg 3 BBC Brasil - Isso é positivo?
cbet gg 3 Manuela - Foi um ciclo que trouxe a indústria para o país, por exemplo. Olharcbet gg 3forma maniqueísta a história do Brasil não vai ajudar o país a sair da crise. A Zona Francacbet gg 3Manaus data dos períodos militares. É o que mantém a florestacbet gg 3pé. Vou dizer que sou contra a Zona Franca por isso? Agora, não tem como não colocar o tema da sustentabilidadecbet gg 3primeiro plano. O desenvolvimento do século 21 foca no combate a desigualdades e na sustentabilidade ambiental.
cbet gg 3 BBC Brasil - Quando a senhora diz "solo mais rico do mundo com uma população miserávelcbet gg 3cima", isso pressupõe explorar minérios? Mesmocbet gg 3terra indígena?
cbet gg 3 Manuela - Em alguns Estados, como o Pará, essa exploração pode ser feita garantindo a sustentabilidade. Não trato populações indígenas e ribeirinhas como se fossem acessórias dos brancos do centro do país. São homens e mulheres que precisam viver com dignidade. Quantos estão abordando o fatocbet gg 3a população indígena ter o maior índicecbet gg 3aumentocbet gg 3suicídio na crise? Poucos.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora diz que há interesses internacionais travestidoscbet gg 3outras causas operando na Amazônia. Quais são esses interesses e como eles operam?
cbet gg 3 Manuela - A Amazônia é a região mais rica do planeta. Nós compramos fármacos no Brasil produzidos com as riquezas naturais do nosso país que não temos condições técnicascbet gg 3explorar. O principal fixadorcbet gg 3perfumes do mundo é produzido a partir do que existe na Amazônia. Mas destruímos nosso sistemacbet gg 3ciência, tecnologia e inovação, que poderia garantir mais aportecbet gg 3recursos com uma indústria vinculada a ele.
cbet gg 3 BBC Brasil - Alguns dos maiores escândaloscbet gg 3corrupção da história do país, como o mensalão e a Lava Jato, vieram à tona durante o governo do PT. Mesmo assim o PCdoB manteve seu apoio. Por quê?
cbet gg 3 Manuela - Os casoscbet gg 3corrupção investigados, que passam pelo processo legal com provas, precisam ser punidos. Assistimos nos ciclos do PT a estruturaçãocbet gg 3um sistemacbet gg 3controle da corrupção. Não é casualidade que Lula esteja preso numa superintendência da Polícia Federal construída no seu governo.
Houve um investimento massivocbet gg 3pessoal, equipamentos, na ampliação da capacidade investigativa e da autonomia das operações, a não ingerência política. O mensalão e a Lava Jato são dois episódios que,cbet gg 3um lado, resultam dessas estruturas, mas,cbet gg 3outro, ganharam contornos políticoscbet gg 3seus julgamentos. É o casocbet gg 3Lula. Não se apresentou nenhuma prova contra ele.
As estruturas existem, e as pessoas estão sendo punidas. Mas o projeto construído com Lula e Dilma era superior a isso. Tiramos 16 milhõescbet gg 3pessoas da pobreza extrema. Garantimos a criação do ProUni. Tivemos a política externa comercial mais avançada do Brasil. Estabelecemos relações com todos os países do mundo. O G-20 foi criadocbet gg 3função do protagonismo do Brasil.
cbet gg 3 BBC Brasil - Esses avanços que a senhora menciona justificam os erros que foram cometidos e o apoio do PCdoB ao governo?
cbet gg 3 Manuela - Alguma vez apoiamos algum erro?
cbet gg 3 BBC Brasil - Mas se mantiveram na base.
cbet gg 3 Manuela - Sim, porque o projeto antagônico ao que nós representamos é esse que nós vivemos agora. É o projeto que entrega o pré-sal, que quer vender a Eletrobrás, que gera quase 14 milhõescbet gg 3desempregados,cbet gg 3que 1,2 milhãocbet gg 3casas não cozinham mais com gás, porque não conseguem pagar. Que os bancos têm seu maior lucro da história. Enquanto era feito o combate à corrupção, existia um projeto acontecendo.

cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora defende a independência total da Polícia Federal e do Ministério Público?
cbet gg 3 Manuela - Não, acho que todas as instituições do país têmcbet gg 3estar vinculadas a um projeto. A Polícia Federal, se eu for presidente, continuará atuando no combate à corrupção, mas terá atuação também centrada no controlecbet gg 3armas.
Se é independência total, o presidente não tem como dizer "precisamos atuar nessa área". São instituições do Brasil, não são neutras. A atuação do Ministério Público é um debate antigo entre os operadores do direito. Já foi algo discutido no Congresso, e nunca se chegou a bom termo, mas é um debate que a sociedade fará. Não existe instituição que não deva fazer partecbet gg 3um projetocbet gg 3país.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora desvalorizaria o câmbio?
cbet gg 3 Manuela - A política macroeconômica temcbet gg 3estar a serviço do desenvolvimento do Brasil. O tripé macroeconômico é tratado quase como a Santíssima Trindade. Ninguém pode questionar. Mas o tripé macroeconômico só serve para economias que já são desenvolvidas.
A políticacbet gg 3câmbio que mantivemos quebrou a indústria nacional. Por qual razão alguém abre uma fábrica e gera um emprego se a pessoa ganha mais pegando seu dinheiro e investindo na especulação? Ficaremos eternamente reféns das mil famílias mais ricas do país?
Continuaremos tributandocbet gg 3forma absolutamente intensa a população mais pobre, a classe média? Não tributaremos as grandes fortunas? Tributaremos para semprecbet gg 3forma tímida as grandes heranças que poderiam inclusive ser uma formacbet gg 3financiamento dos Estadoscbet gg 3crise?
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora disse que a política do BNDES no governo do PT foi boa. Não foi essa mesma política que privilegiou grandes grupos empresariais e permitiu tantos desvios e escândaloscbet gg 3corrupção no exterior?
cbet gg 3 Manuela - Nada disso do que você está falando foi comprovado na CPI do BNDES. Os acertos nunca são integrais. Tivemos falhascbet gg 3algumas políticas do BNDES. Por exemplo, não cobramos com muita nitidez as contrapartidas da políticacbet gg 3campeões nacionais, mas nós tivemos acertos também.
É preciso ou não investir na indústria nacional? Qual país do mundo não investe? Que país não tem mecanismocbet gg 3fomento à indústria? Vocês acham que a infraestrutura brasileira é suficiente? Como a gente garante infraestrutura nacional sem passar por empreiteiras nacionais? Sem falar disso, vira um debate idealista. A gente precisa ter indústria, precisa gerar emprego. E os delitos das empresas têmcbet gg 3ser apurados.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora diz defender um novo projetocbet gg 3desenvolvimento nacional. Que modelo propõe?
cbet gg 3 Manuela - Não defendo nenhum modelo. Temos problemas únicos no temacbet gg 3violência, e às vezes falam: "Vamos legalizar as drogas igual ao Uruguai". É diferente. O Brasil precisa construir um caminho próprio.
Não existe economia ou país que se desenvolveu sem o Estado conduzindo um projeto nacional. Os liberais brasileiros inventam que os Estados Unidos, Israel e a Coreia do Sul não têm participação do Estado na economia. (risos) É piada, né? Assim como a China tem. São políticas diferentescbet gg 3que o Estado tem um papel central nacbet gg 3elaboração. Precisamos recompor a capacidadecbet gg 3investimento do Estado brasileiro com a reforma tributária e a reforma do Estado, que é amarrado, para reduzir a desigualdade.
cbet gg 3 BBC Brasil - Os empresários e brasileiros mais ricos devem temer uma presidente Manuela comunista?
cbet gg 3 Manuela - Não gosto dessa palavra "temer". Quero governar para 99% do povo, para quem não ganha especulando, para quem paga imposto. Amo meu país e dediquei minha vida a tentar transformar o Brasil, mas tenho um lado: o do povo.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora defendeu a construçãocbet gg 3presídios federais nos Estados. Isso não contraria críticas da esquerda ao encarceramentocbet gg 3massa? Por que a senhora defende uma pauta vista comocbet gg 3direita?
cbet gg 3 Manuela - Porque não écbet gg 3direita. Meus mandatos foram dedicados ao combate ao encarceramentocbet gg 3massa e ao uso excessivocbet gg 3força policial. Passo os dias recebendo famíliascbet gg 3policiais mortos ecbet gg 3vítimas do uso abusivocbet gg 3força da polícia. Só que nós não vamos resolver o problema da violência no Brasil ignorando determinados temas.
Não existe políticacbet gg 3segurança pública sem polícia. Mas também existe um medo da polícia entre as pessoas mais pobres que é justificado. O que eu faço? Fico só falando "a polícia mata"? A polícia mata, mas também morre, e os dois lados são pobres. Os ricos não morrem nessa guerra.
Minha proposta dos presídios faz partecbet gg 3um projeto maior que prevê priorizar o combate aos crimescbet gg 3homicídio e crimes sexuais. Mas essas pessoas vão ficar nos presídios que temos hoje? A parte da esquerda que me critica por isso acha bom submeter preso à máquinacbet gg 3tortura que são nossos presídios? Se está bom pra eles, para mim, não está.
Quero homicidas e estupradores presos, mascbet gg 3presídios com segurança, que não fomentem a criaçãocbet gg 3facções como ocorre hoje. Por fim, defendo uma nova políticacbet gg 3drogas, que é o centro do enfrentamento ao encarceramentocbet gg 3massa. A gente precisa debater a guerra às drogas. Não conheço ninguém que ache que deu certo. Defendo a tributação das drogas e que isso seja usado na prevenção do consumo abusivo e na reparação às comunidades que ficaram 40 anos submetidas à guerra.
Jamais defendi construir presídio para encarcerar mais, mas tem muita gente precisando inventar fake news, na direita e, infelizmente, às vezes, na esquerda.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora é favor da descriminalização do aborto?
cbet gg 3 Manuela - Acho que o Brasil precisa tratar desse tema como um temacbet gg 3saúde pública e que isso resultará na descriminalização.
cbet gg 3 BBC Brasil - Como seria conduzida essa descriminalização? Hoje temos um Congressocbet gg 3maioria conservadora.
cbet gg 3 Manuela - Um presidente tem relevância política no Brasil e precisa construir um diálogo com a sociedade e com o Congresso. E deve aceitar ganhar ou perder.
O Uruguai fez um plebiscito sobre a redução da maioridade penal, e todo mundo achou que o campo político do governo, contra a redução, perderia. Fizeram um amplo debate popular e ganharam. No tempocbet gg 3que nós vivemos, é possível radicalizar a democracia.
Quando relatei o Estatuto da Juventude, as pessoas podiam opinar no texto, e 30% do relatório veiocbet gg 3iniciativas populares. É possível fazer política assim. Não pretendo fazer transformações sem ouvir o povo, mas só serei presidente se o povo acreditar no que eu defendo.
cbet gg 3 BBC Brasil - Como a senhora lidaria com bancada ruralista, bancada evangélica, bancada da bala, três forças do Congresso, para avançar suas propostas?
cbet gg 3 Manuela - Em algumas causas, estaremos juntos,cbet gg 3outras, não. Tenho uma experiência nisso. O Estatuto da Juventude,cbet gg 3que constam a liberdade sexual e religiosa, foi aprovado com o apoio da bancada evangélica e da Frente LGBT. É possível dialogar sem abrir mão dos nossos princípios.
cbet gg 3 BBC Brasil - Nas duas eleições majoritárias que a senhora disputou, foi derrotada. O que muda agora?
cbet gg 3 Manuela - Muda o sistemacbet gg 3financiamentocbet gg 3campanha, que teve bastante relação com minhas derrotas, porque os rivais eram bem financiados. Também sempre fui atacada pela pouca idade. A eleição é meu elixir da juventude, nunca fico velha. E continuo muito nova perto dos meus adversários, mas tenho mais maturidade.
Também muda a conjuntura política. Um momentocbet gg 3crise favorece uma eleição menos uniforme,cbet gg 3que as diferenças dos projetos são mais perceptíveis. Isso me ajuda.
cbet gg 3 BBC Brasil - Dentre os candidatos que estão cotados, quais que a senhora poderia apoiar se não fosse para o segundo turno?
cbet gg 3 Manuela - Essa é uma eleição estruturadacbet gg 3campos opostos, basicamente entre direita e esquerda. Ainda não conheci o centro nesta eleição. O próximo governo do Brasil terácbet gg 3fazer reformas, que serão para um lado ou para outro. Será a reforma que entregará a Eletrobrás e a nossa condiçãocbet gg 3desenvolver a indústriacbet gg 3forma soberana ou que não privatizará. Uma reforma tributária que garanta a capacidadecbet gg 3investimento do Estado ou uma reforma que entregará a Previdência pública para os bancos.
São decisões que pautarão os rumos do Brasil, e não apoiarei ninguém que esteja do outro lado.
cbet gg 3 BBC Brasil - A senhora afirma que a diferença salarial entre homens e mulheres é uma chaga nacional e que vai acabar com ela. Como?
cbet gg 3 Manuela - Fazendo ser lei. As empresas não podem praticar salários diferentes para homens e mulheres que exercem o mesmo trabalho, com as mesmas atribuições. Meu governo não contratará nenhuma empresa que faça isso.
Um governo precisa ter obsessãocbet gg 3combater essa diferença salarial. Como duas pessoas trabalham no mesmo lugar, uma é homem, outra é mulher, e um recebe 20% a menos? Quando é mãe, chega a 40%. Tem algo errado. Não é uma casualidade que as nações que mais se desenvolvem no mundo respeitam o posicionamento das mulheres na economia. Não acredito que o Brasil se desenvolverá se as mulheres não tiverem protagonismo nisso.
cbet gg 3 BBC Brasil - Tem algum país que a senhora tenha como exemplocbet gg 3modelo econômico ecbet gg 3desenvolvimento?
cbet gg 3 Manuela - Faço minha pós-graduação estudando tiposcbet gg 3Estadocbet gg 3bem-estar social. Cada um tem vantagens e desvantagens. Se você pega o caminho que a China percorreu, para o seu povo, realidade, históriacbet gg 3guerras e fome, é um caminho que tem dado certo.
Se você pega o caminho dos países nórdicos, isso tem resultados bons para seu povo. Precisamos saber qual será o nosso caminho. Não dá pra importar nada.










