Dilma usará discurso na ONU para criticar espionagem dos EUA:br4bet paga

Dilma e Obama, no G20br4bet pagaSão Petersburgo. Foto: Reuters
Legenda da foto, Dilma cancelou viagem que faria a Washingtonbr4bet pagaoutubro

Figueiredo também participarábr4bet pagareuniões ministeriais do G4 (Alemanha, Brasil, Índia e Japão, que discutem a reforma do Conselhobr4bet pagaSegurança da ONU), dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Ibas (Brasil, Índia e África do Sul).

Além da participação na ONU, Dilma tem previsãobr4bet pagafazer dois outros discursos aquibr4bet pagaNova York. Na terça-feira,br4bet pagauma sessãobr4bet pagaalto nível sobre desenvolvimento sustentável na ONU, um fórum que entre outras coisas acompanha os resultados da Rio+20. A assembleia geral deste ano é dedicada a uma "agendabr4bet pagadesenvolvimento pós-2015".

Na quarta-feira, a presidente falarábr4bet pagaum evento sobre oportunidades no setor brasileirobr4bet pagainfraestrutura promovido pelo banco Goldman Sachs, o jornal Metro e a rede Bandeirantesbr4bet pagaTV.

Também participam do evento ministros da área econômica do governo – Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) – e os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do BNDES, Luciano Coutinho.

A partida da presidente para o Brasil está prevista para a quarta-feira à tarde.

Segurança nas comunicações

A expectativa é que Dilma critique a espionagem americana e expresse algum tipobr4bet pagaapoio a medidas voltadas para incrementar a segurança dos dados nas comunicações globais.

Esse tema tem sido alvobr4bet pagadiscussõesbr4bet pagavárias instâncias da ONU. No Conselho dos Direitos Humanos,br4bet pagaGenebra, por exemplo, entidades da sociedade civil e alguns países já defenderam que o debate seja enfocado sob o prismabr4bet pagadireitos e liberdades fundamentais.

Também existem na ONU discussões sobre a governança da internet – ou a falta dela –br4bet pagainstâncias como a Unesco e a União Internacional das Telecomunicações.

"O que existe atualmente é um vácuo institucional, e os Estados Unidos, nesse vácuo, têm uma vantagem, porque abrigam grande parte da infraestrutura da rede e lideram o desenvolvimento científico-tecnológico mesmo", disse à BBC Brasil a pesquisadora do Centrobr4bet pagaTecnologia e Sociedade da FGV-Rio, Joana Varon.

Documentos vazados por Edward Snowden mostraram que o trabalho da NSA foi facilitado pelo fatobr4bet pagagrande parte dos dados das comunicações globais – e quase todo o tráfegobr4bet pagadados das comunicações brasileiras – passarem pela infraestrutura americana.

As revelações também mostraram que a NSA utilizou infraestruturabr4bet pagaserviços americana – empresas, provedores, etc – como meiobr4bet pagacoletar dados, com ou sem a concordância delas.

Este aspecto recolocou na agenda projetos do Brasil que já estavambr4bet pagaadiantamento, como a criaçãobr4bet pagaviasbr4bet pagatráfegobr4bet pagadados que não passem pelo território americano. Para isso, seriam necessárias obrasbr4bet pagainfraestrutura envolvendo a colocaçãobr4bet pagacabos subaquáticosbr4bet pagafibra ótica ligando o Brasil e outros países.

Edward Snowden, ex-funcionário da NSA
Legenda da foto, Documentos vazados por Edward Snowden provocaram atrito entre Brasil e EUA

Mas na ONU as discussões dizem respeito à governança da rede a partirbr4bet pagaum pontobr4bet pagavista global. "O desafio é pensar um modelo que atenda a necessidadesbr4bet pagainovação,br4bet pagaque o Estado não necessariamente tenha um papel central, mas que ao mesmo tempo garanta o respeite aos direitos humanos fundamentais", diz Varon.

Analistas creem que o Brasil poderia contribuir com esse debatebr4bet pagagovernança da internet oferecendo o seu modelobr4bet pagacomitê nacionalbr4bet pagagestão da rede, no qual Estado, empresas e entidades da sociedade civil discutem o tema a partirbr4bet pagaum pontobr4bet pagavistabr4bet pagaliberdades individuais.

EUAbr4bet pagacabeça baixa

Qualquer que seja a referência que a presidente faça sobre esta searabr4bet pagaseu discurso, analistas acreditam que expressará uma posição contra esse status quo que implica a vantagem americana. Mas a presidente já deu a entender que a Casa Branca está ciente do tom crítica da mensagem.

"O governo americano entende totalmente que até certo nível a presidente Dilma precisa mostrar firmeza para satisfazer o público brasileiro, que realmente está, com boa razão, irritado com a intrusão americana", acredita o professorbr4bet pagahistória da Universidade Georgetown,br4bet pagaWashington, Bryan McCann.

"A presidente Dilma tem boas justificativas para exigir explicações dos Estados Unidos que ainda estão por vir."

Para o professor, seus interlocutores americanos também sabem que a presidente "tem os problemas brasileiros (para cuidar) e que há uma certa oportunidadebr4bet pagacriticar os Estados Unidos para desviar, talvez, a atenção dos problemas dentro do Brasil no momento".

Mais além deste tema, o discurso brasileiro – que tradicionalmente abre a plenáriabr4bet pagalíderes na ONU – também deve fazer jus ao costume passarbr4bet paga"revista" as questões internacionais, como ressaltou a assessoria do Planalto.

O discurso poderia incluir, portanto, referências a dois outros assuntos que têm dominado as discussões políticas e econômicas, e nos quais o Brasil mantém uma posição crítica à atuação americana.

Um deles é a Síria; o Brasil se opôs a uma ação militar contra o governo sírio, como tem sido proposto pelos Estados Unidos. O outro, o gerenciamento das medidasbr4bet pagaafrouxamento monetário pelo Banco Central americano que, se não for feito com cuidado, pode gerar fugasbr4bet pagacapitais nos países emergentes.