‘Classes C e D não se veem representadas nos dois lados do impeachment’, diz Data Popular:handicap europeu betnacional
- Jefferson Puff - @_jeffersonpuff
- Da BBC Brasil no Riohandicap europeu betnacionalJaneiro

Crédito, Data Popular
Para Renato Meirelles, cortes que atinjam programas sociais podem levar classes C e D às ruas
handicap europeu betnacional As classes C e D, base da pirâmide social brasileira, não se veem representadas nas manifestaçõeshandicap europeu betnacionalrua pró e contra governo e nas disputashandicap europeu betnacionalBrasíliahandicap europeu betnacionaltorno da "luta pelo impeachment", avalia Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, baseando-sehandicap europeu betnacionalpesquisas recentes.
Para ele, os mais pobres não enxergam a defesahandicap europeu betnacionalseus interesses na atual crise política, classificada por eles como um "cabohandicap europeu betnacionalguerrahandicap europeu betnacionalduas elites":handicap europeu betnacionalum lado ahandicap europeu betnacionaldireita e do outro, ahandicap europeu betnacionalesquerda.
O Data Popular acompanha o crescimento e o desenvolvimento e as opiniões das classes C, D e E.
Para Meirelles, os números mostram que nas manifestaçõeshandicap europeu betnacionalrua há um perfil semelhante dos dois espectros do debate.
"A renda e o grauhandicap europeu betnacionalescolaridade dos manifestantes (dos dois lados) são razoavelmente maiores do que da maioria da população brasileira. Sehandicap europeu betnacionalum lado há jovenshandicap europeu betnacionalelite e empresários, industriais, do outro há funcionários públicos, professores, universitários, artistas, intelectuais e dirigentes sindicais, mas o fato é que o povo não estáhandicap europeu betnacionalnenhum dos dois", diz, fazendo ressalva aos sem-teto e sem-terra.
Meirelles diz que,handicap europeu betnacionaluma das questões da pesquisa que ouviu 2.005 pessoashandicap europeu betnacionaltodo o Brasil no finalhandicap europeu betnacionalmarço, o instituto questionou que tipohandicap europeu betnacionalEstado era preferencial: um que não interfirahandicap europeu betnacionaljeito nenhum na vida das pessoas ou um Estado mais presente, sobretudo por intermédiohandicap europeu betnacionalprogramas sociais.
Dos entrevistados, 38% defenderam um Estado próximo do mínimo e 62% defenderam um Estado vigoroso, que promova a igualdade social.
Numa segunda questão, procurou-se separar os "oposicionistas" e os "decepcionados" com o governo da presidente Dilma Rousseff.
E as respostas apontaram que do grupo que prefere um Estado próximo do mínimo, 36% estão insatisfeitos com o governo atual. Já dos 62% que optam por um Estado mais presente, 44% estão insatisfeitos com a gestão atual.
"Esses dados nos mostram que é preciso olhar com mais profundidade os dadoshandicap europeu betnacionalrejeição ao governo. Os 36% insatisfeitos que preferem um Estado mínimo são claramente os oposicionistas, os que nem votaramhandicap europeu betnacionalDilma e defendem claramente o impeachment. Já os 44% que estão insatisfeitos mas optam por um Estado presente são os decepcionados, aqueles que esperavam mais ações do governo voltadas aos mais pobres", explica Renato.

Crédito, Christopher Pillitz
Para Meirelles, não são levadoshandicap europeu betnacionalconta os brasileiros mais pobres, que serão diretamente afetados pelos resultados da crise
Meirelles explica que as pesquisas do Data Popular mapeiam os 36% oposicionistas como predominantemente das classes A e B, e os 44% decepcionados como majoritariamente das classes C e D.
"Quando você vê dados totaishandicap europeu betnacionalrejeição ao governo, que agrupam todas essas pessoas, não fica claro por quais motivos as pessoas desaprovam a gestão atual. Alguns desaprovam porque não concordam com o tipohandicap europeu betnacionalação do governo. Outros, pelo contrário, esperavam ainda mais programas sociais e ações contra a desigualdade", diz.
Distanciamento e papa Francisco
Para ele, até mesmo na imprensa e nas discussõeshandicap europeu betnacionaltorno da crise não são levadoshandicap europeu betnacionalconta os brasileiros mais pobres, que muitas vezes sequer acompanham as minúcias dos jogos da política, mas que serão diretamente afetados pelos resultados da crise.
"Todo mundo está discutindo o impeachment pela lógica dos políticos, e o que estamos tentando fazer é discutir pela lógica das pessoas que não leem o noticiário, não conseguem entender os meandros da política, e que estão distantes do epicentro da crise, mas que têm que acordar cedo todos os dias, arregaçar as mangas e ir trabalhar. É como se os políticos fossem analógicos e essa população fosse digital. Não falam a mesma língua", diz.
A pesquisa do Data Popular revelou que para 74,5% dos entrevistados, os políticos agem por interesses próprios e que não estão comprometidos com a melhora da vida da população. Num outro questionamento, 91% disseram que o pior do Brasil neste momento não é a crise política, mas sim "não ver a luz no fim do túnel".
Para Meirelles, um dos questionamentos que mais revelaram a descrença da população mais pobre com relação a qualquer liderança política foi sobre a definiçãohandicap europeu betnacionalalgum nome que pudesse tirar o Brasil da crise: 89% não veem ninguém apto a salvar o país, e 11% indicaram nomes diversos, sendo o principal o do papa Francisco.
Impactos e futuro
Para o presidente do Data Popular o desfecho da crise política para as classes C e D passará pela maneira como o governo, seja com Dilma Rousseff ou Michel Temer, explicará à população os objetivos dos ajustes fiscais e cortes.
"O que as famíliashandicap europeu betnacionalclasse C e D, que já estão sentindo muito o impacto da crise, esperam do governo é que se mostre que essas escolhas estão sendo feitas para que a médio prazo a igualdadehandicap europeu betnacionaloportunidades e geraçãohandicap europeu betnacionalrenda sejam retomadas. Se elas perceberem os cortes como meros ajustes técnicos para equilibrar as contas, aí sim poderão ir para as ruas", diz.
Meirelles diz que é uma "grande ilusão" achar que os problemas dos brasileiros estarão resolvidos com o término da votação do impeachment neste domingo, e que o verdadeiro termômetrohandicap europeu betnacionalaceitação ou rejeição aguardado pelas classes mas pobres é o quanto perderãohandicap europeu betnacionalsaúde, educação e programas como Fies, Minha Casa Minha Vida, Pronatec e ProUni quando os ajustes começaremhandicap europeu betnacionalfato.
"Veja, há uma grande diferença entre deixarhandicap europeu betnacionalir para a Europa e ir para Buenos Aires e deixarhandicap europeu betnacionalvisitar a família no Nordestehandicap europeu betnacionalavião e voltar a ficar três dias dentrohandicap europeu betnacionalum ônibus, ou deixarhandicap europeu betnacionalcomer carne e voltar a comer pão com ovo. Dói mais perder o que você nunca tinha tido e conquistou do que apenas deixarhandicap europeu betnacionalganhar", avalia.
Renato considera que as classes A e B enxergam que estão perdendo com um modelohandicap europeu betnacionalpaís que promova a redução da desigualdade social.
"A renda dos 25% mais pobres cresceu três vezes mais do que a renda dos 25% mais ricos no Brasil nos últimos anos. Isso fez com que muita gente entrasse num universohandicap europeu betnacionalconsumo pela primeira vez, mas essas pessoas já estão tendo que fazer cortes domésticos. O desafio, a partirhandicap europeu betnacionalsegunda-feira, vai ser dialogar com essas pessoas e explicar a elas o impactohandicap europeu betnacionaltudo o que estamos vivendo e ainda vamos viver no país", diz.




