A astrônoma cega que criou técnica para 'escutar' o céubetboro apostasbuscabetboro apostasvida fora da Terra:betboro apostas

Crédito, TED
Wanda se refere à radioastronomia, o estudobetboro apostascorpos celestes através das ondasbetboro apostasrádio por eles emitidas, uma descoberta feitabetboro apostas1932 e quebetboro apostasanos posteriores revolucionou o conhecimento sobre o universo antesbetboro apostassondas percorrerem os confins do sistema solar.
"Nossa civilização é muito orientada para o visual e isso se reflete na ciência. Ficamos acostumadosbetboro apostasconfiar apenas nos dados que vemos, quando nossa percepção pode ser aumentada se também dermos atenção a outros sentidos", acrescenta.

Crédito, Wanda Diaz Merced
E foi isso que Wanda fez para realizar o sonhobetboro apostasestudar o espaço. Em vezbetboro apostasvisualizar dados, ela se propôs a estudá-los atravésbetboro apostasuma técnica chamada sonificação - a conversãobetboro apostasinformaçõesbetboro apostassinais sonoros. À primeira vista, pode (sem trocadilho) soar complicado, mas um exemplo mais básico da técnica é o contador Geiger, instrumento usado para detectar a presençabetboro apostasradioatividade e que, alémbetboro apostasum medidor, emite sinais sonoros que se intensificam proporcionalmente aos índicesbetboro apostasradiação.
"Era minha única chancebetboro apostasconseguir realizar meu sonhobetboro apostasser astrônoma. Em 1999, um orientador vocacional me recomendou desistir, mas eu não conseguia pararbetboro apostaspensar que podia ser útil. Intuição e sensibilidade não são mutuamente exclusivas. Por que eu não poderia fazer um trabalho do mesmo nível dos meus colegas?", questiona.
A chancebetboro apostasmostrar serviço veio durante um estágiobetboro apostasum centrobetboro apostaspesquisas da Nasa, a agência espacial americana: seu mentor, o astrofísico Robert Candey, desafiou Wanda a criar uma formabetboro apostasincluir pesquisadores com deficiência visual na análisebetboro apostasdados coletados pelas novas geraçõesbetboro apostasradiotelescópios.

Crédito, NASA
Foi quando ela desenvolveu uma técnicabetboro apostasconverter dados complexosbetboro apostassons audíveis, usando variaçõesbetboro apostasduração, tom e timbre, entre outras propriedades.
Com essa técnica, ela conseguiu detectar "emissõesbetboro apostasenergiabetboro apostasexplosões estelares que haviam passado despercebidas pela análise visual". "O uso do som aumentou a quantidadebetboro apostasinformações que astrônomos podem coletar."
É com base nisso que Mercedes tem agora se dedicado à tarefabetboro apostastentar interpretar sonificaçõesbetboro apostasdadosbetboro apostasexoplanetas para buscar informações sobre condições atmosféricas e propriedades químicas que possam indicar condições para a existênciabetboro apostasvida.
Ainda mais quando avanços tecnológicos resultarambetboro apostasum salto no númerobetboro apostasexoplanetas descobertos - apenasbetboro apostas2016, maisbetboro apostasmil foram acrescentados a uma basebetboro apostasdados internacional sobre novos mundos.
Acimabetboro apostastudo, a técnica permitiu que Wanda não precisasse desistir do sonhobetboro apostasexplorar as estrelas - quando menina, ela fingia quebetboro apostascama era uma espaçonave. Sem falar quebetboro apostaspesquisa abriu espaço para que mais pessoas com deficiência visual busquem uma carreirabetboro apostasciência.

Crédito, Patrick Mansell, Penn State
"A ciência pode se beneficiar imensamentebetboro apostasum aumentobetboro apostaspercepção. E eu posso continuar a fazer o que amo e estimular mais pessoas como eu a não desistirbetboro apostasperseguir seus sonhos. A ciência tem o deverbetboro apostaspromover a inclusão. Todos nós podemos contribuir para o conhecimento humano".
A participação não precisa estar restrita à astronomia. O pesquisador americano Mark Ballora, professorbetboro apostastecnologia musical da Universidade Estadual da Pensilvânia, desenvolveu um projetobetboro apostassonificação que, a partir da conversãobetboro apostasdadosbetboro apostaseletrocardiogramas, conseguiu diagnosticar casosbetboro apostasSíndromebetboro apostasApneia Obstrutiva do Sono antes da realizaçãobetboro apostasuma polissonografia - o testebetboro apostasregistro do sono usado no diagnóstico tradicional.
"A audição não precisa competir com a visão, mas sim trabalharbetboro apostasconjunto. À noite, nossos ancestrais às vezes não podiam ver o que estavabetboro apostasvolta, mas sons poderiam alertar para a presençabetboro apostasinimigos ou predadores. A sonificaçãobetboro apostasdados meteorológicos, por exemplo, já possibilitou que cientistas aumentassembetboro apostascompreensão sobre padrõesbetboro apostascomportamentobetboro apostastempestades", conta Ballora.
Wanda atualmente vivebetboro apostasCidade do Cabo, na África do Sul. Alémbetboro apostassuas pesquisasbetboro apostasastrofísica, dá aulas para crianças cegas, para quem leva constantemente amostrasbetboro apostassuas sonificações. É partebetboro apostasseu trabalhobetboro apostasum projeto da União Astronômica Internacional (UAI). Ela também dá palestras ao redor do mundobetboro apostasescolas e universidades.
"A perda da minha visão na verdade me deixou ainda mais determinada a ser astrônoma. Quando faço palestras ou dou aulas, minha principal missão é estimular que as pessoas não desistambetboro apostasseus sonhos e que vejam as oportunidades que estão à frente. Qualquer pessoa no mundo pode algum dia desenvolver uma doença e precisarbetboro apostasuma nova formabetboro apostasexibir seus talentos. Somos todos exploradores naturalmente", finaliza.








