Menos trigonometria, mais pensamento crítico: especialista do MIT sugere estratégias contra 'passividade'super stars slotalunos:super stars slot

Aluna da redesuper stars slotensino estadual da Bahia,super stars slotfotosuper stars slot2016
Legenda da foto, Modelossuper stars slotavaliações atuais têm impedido inovações nos sistemassuper stars slotensino, defende pesquisadora (Foto: Suami Dias/ GOVBA)

A seguir, os principais trechos da entrevista:

super stars slot BBC Brasil - Uma das áreas que você estuda é aprendizagem por jogos. O que, nasuper stars slotexperiência, tem funcionado ou nãosuper stars slottermossuper stars slotjogossuper stars slotsalasuper stars slotaula?

super stars slot Jennifer Groff - Em nosso laboratório, buscamos jogos que envolvam (o aluno)super stars slotexperiências e permitam a imersãosuper stars slotum conceito -super stars slotvezsuper stars slotum jogo que simplesmente o instrua a fazer uma tarefa.

Por exemplo, para ensinar a tabuada, brincadeiras com blocos permitem às crianças perceber que "dois blocos mais dois formam quatro".

Não gostamossuper stars slotjogossuper stars slotque o aluno completa quatro perguntassuper stars slotmatemática para ganhar o direitosuper stars slotatirarsuper stars slotalienígenas esuper stars slotseguida, "ok, a brincadeira acabou, é horasuper stars slotresolver mais uns problemassuper stars slotmatemática".

Tentamos ajudar os professores a verem o valorsuper stars slotum aprendizado mais voltado à brincadeira, explorando um tópicosuper stars slotvezsuper stars slot"encher" a cabeça dos alunos com ideias.

Crianças brincando com blocossuper stars slotsalasuper stars slotaula

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Jogos, sejam eles eletrônicos ou analógicos, permitem a imersão dos alunossuper stars slotconceitos, explica Groff

Videogames comerciais também podem ser usadossuper stars slotmodo eficiente. Civilization e Diplomacy já foram usados por bons professores como ferramenta para engajar os alunossuper stars slottemas como negociação, por exemplo. (...) E (é importante) deixar as crianças liderarem (o processo), deixar que elas sejam professores também.

super stars slot BBC Brasil - Muito tem sido dito sobre o aprendizado não mais centrado no professor, e sim nos alunos. É a isso que você se refere?

super stars slot Groff - Exatamente. Muitos dos jogos que desenvolvemos no nosso laboratório são criados para serem jogados socialmente,super stars slotgrupos - somos seres sociais e não construímos conhecimentosuper stars slotisolamento.

Fazemos com que essa experiência individual e coletiva seja o centro (do aprendizado), e o professor (tem de) criar um ambiente dessas experiências para as crianças e, talvez depois, avaliar essas experiências - mais do que comandar um planosuper stars slotaula.

super stars slot BBC Brasil - O que tem sido mais eficiente nas transformações dos ambientessuper stars slotaprendizagem nas escolas?

super stars slot Groff - Sabemos por pesquisas e por escolas (bem-sucedidas) que o bom aprendizado é centrado no estudante, que constrói seu próprio conhecimento socialmente.

Em muitos currículos, temos aquela aulasuper stars slot45 minutossuper stars slotmatemática, por exemplo, e (os estudantes) nem sequer sabem por que estão aprendendo matemática. Os estudantes não a recebem (o conteúdo)super stars slotcontexto.

Jennifer Groff
Legenda da foto, Jennifer Groff defende ensino mais baseadosuper stars slothabilidades e competências do quesuper stars slotdisciplinas tradicionais (Foto: arquivo pessoal)

E contexto é algo poderoso - projetos, problemas, conceitos do mundo real. As escolassuper stars slotque vejo um aprendizado mais robusto são as que trabalham nesses parâmetros (...) baseadossuper stars slotcompetências.

A questão é que (historicamente) não sabíamos como medir o desempenho dos alunossuper stars slotgrande escala, então os dividimossuper stars slotséries com basesuper stars slotsuas idades, todos aprendendo a mesma coisa ao mesmo tempo.

Hoje vemos que isso não ajuda muito. Entendemos hoje que o aprendizado é orgânico, individualizado, diversificado, e no entanto o jeito como gerenciamos nossas escolas não reflete isso.

Por isso que tem ganhado muita atenção o modelosuper stars slotaprendizado baseadosuper stars slotcompetências - por exemplo, pensamento crítico e outras habilidades,super stars slotvezsuper stars slotdividir (as aulas) artificialmentesuper stars slotmatérias.

super stars slot BBC Brasil - E como conciliar isso com um modelo tradicionalsuper stars slotprovas e avaliações?

super stars slot Groff - Esse é o problema. As avaliações são apontadas há muito tempo como o maior problema na educação, e com razão. Como muitos modelos são atados a elas, acaba sendo o rabo que balança o cão. (O ideal),super stars slotum futuro próximo, é a avaliação estar inserida no sistemasuper stars slotmodo que as crianças nem sequer percebam (que estão sendo avaliadas).

Avaliações são essencialmente feedback, e todos precisamossuper stars slotfeedback.

Uma das razões pelas quais me interessei pelo aprendizado por jogos é que (...) um bom jogo consegue (via algoritmos) coletar o tempo todo dados dos usuários e se adaptar com base nisso (ou seja, compreender o que o aluno já aprendeu e sugerir-lhe conteúdo que complemente suas deficiênciassuper stars slotensino).

Ministro da Educação, Mendonça Filho, na entrega do documento da Base Nacional Comum Curricular,super stars slotabril
Legenda da foto, Ministro da Educação, Mendonça Filho, na entrega do documento da Base Nacional Comum Curricular,super stars slotabril; mudança é oportunidade para incorporar ensino por competências, defende especialista americana (Foto: Ministério da Educação)

super stars slot BBC Brasil - Nesse modelo, como saber o que cada criança precisa aprender até determinado estágio?

super stars slot Groff - Não deveríamos colocar tais expectativas sobre as crianças, do tipo "até esta idade elas precisam saber isto".

Provavelmente deve haver zonassuper stars slotalerta - devemos nos preocupar se até determinada idade a criança não souber ler ou escrever, por exemplo.

Mas um dos problemas da educação é a expectativasuper stars slotque todos os alunos (aprendam uniformemente), e não é assim que funciona.

Queremos que eles sigam seus interesses, que ésuper stars slotonde virásuper stars slotmotivação, e temossuper stars slotcoletar dados para sabersuper stars slotque ponto eles estãosuper stars slottermossuper stars slotcompetências.

Há um mapasuper stars slotcompetências aindasuper stars slotdesenvolvimento (pelo MIT Media Lab). (...) São grandes áreassuper stars slotdomínio, como pensamento crítico, pensamento sistemático (levarsuper stars slotconta múltiplas opções, prever consequências e efeitos), pensamento ético, ou outras habilidades. Até mesmo matemática, línguas.

É possível medir esse desenvolvimentosuper stars slotcrianças, assim como é possível acompanhar um bebê aprender a se mexer até ser capazsuper stars slotcorrer.

Com essas medições, professores não precisariam (aplicar) provas, e sim permitir que os alunos tenham uma experiênciasuper stars slotaprendizado poderosa e depois simplesmente monitorá-la.

super stars slot BBC Brasil - Como avaliar matemática nesse contexto?

super stars slot Groff - Passei meu ensino médio aprendendo álgebra, geometria, trigonometria, pré-cálculo e cálculo. E e não uso a maioria dessas coisas hoje. É algo totalmente inútil para a maioria dos estudantes, que acabam precisando aprender coisas como finanças, estatística, análisesuper stars slotdados - e vemos dados diariamente, mas não sabemos tirar sentido deles.

A matemática é um grande exemplosuper stars slotdisciplina que precisamos olhar sob uma perspectivasuper stars slotcompetência. Não precisamossuper stars slotuma sociedade repletasuper stars slotmatemáticos, mas simsuper stars slotpessoas com competênciasuper stars slotequilibrar seu orçamento pessoal, calcular seus impostos.

super stars slot BBC Brasil - Você mencionou pensamento ético. Como habilidades sociais como essa podem ser ensinadas?

super stars slot Groff - De forma geral, é (levarsuper stars slotconta) múltiplas perspectivas sociais. Quanto mais você conseguir olhar (algo) da perspectivasuper stars slotmuitas pessoas e tomar decisões com base nisso, mais éticas serão suas decisões.

Aulasuper stars slottrigonometria

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Para Groff, países não devem ter medosuper stars slotse livrarsuper stars slotantigas disciplinas e trocá-las pelo ensinosuper stars slotcompetências

O MIT tem um jogo chamado Quandary (dilema,super stars slottradução livre), que coloca as criançassuper stars slotum mundo fictício com vários cenáriossuper stars slotque não há uma resposta certa ou errada, mas sim decisões a tomar e consequências. É um exemplo desse aprendizado mais divertido e contextual.

Se entrarmossuper stars slotuma escola tradicional e pedirmos ao professor que ensine pensamento ético, ele provavelmente não vai ter nem ideiasuper stars slotcomo fazer. E um jogo é perfeito para isso - brincandosuper stars slotcenários fictíciossuper stars slotvezsuper stars slottendo uma aula. (...) A maioria das inovações ocorre justamentesuper stars slotescolas onde há liberdade para brincar.

super stars slot BBC Brasil - É possível implementar esse ensino por competênciassuper stars slotum país tão grande quanto o Brasil?

super stars slot Groff - Com certeza. (...) A Finlândia, por exemplo, jogou fora seu currículo inteiro, porque quer que suas escolas sigam essa direção e viu que uma das maiores barreiras são essas estruturas rígidas do currículo.

super stars slot BBC Brasil - O Brasil também está mudandosuper stars slotbase curricular. Quais os principais desafios e oportunidades disso?

super stars slot Groff - O maior desafio é ter mais do mesmo, com uma roupagem diferente. Mas para qualquer país que reforme seu currículo há uma grande oportunidade: o documento pode moldar o dia a dia do aprendizado nas escolas. (...) Eu daria (esse documento) a professoressuper stars slotescolas públicas e perguntaria a eles se o modelo os convida a ensinarsuper stars slotum modo diferente.

As pessoas subestimam o impacto dessas estruturas, que são uma grande oportunidadesuper stars slotmudança. Por exemplo,super stars slotuma visita ao Reino Unido, vi que escolas da Escócia estavam adotando o ensino baseadosuper stars slotprojetos (em que alunos realizam projetos multidisciplinares,super stars slotvezsuper stars slotaula tradicionais), e me disseram que isso só foi possível porque o novo currículo permitiu.

super stars slot BBC Brasil - Você se aprofundou nas dificuldades do ensino brasileiro? O que vê como maiores desafios?

super stars slot Groff - Não sei muito ainda, então não posso falarsuper stars slottermos específicos. Mas, globalmente, todos os sistemas educacionais estão tentando fazer que suas escolas sejam transformadoras - e uso essa palavra intencionalmente porque (a busca) é por um formato totalmente diferente.

No Centrosuper stars slotRedesignsuper stars slotCurrículo (organização internacional cofundada por Groff), um dos trabalhos é ajudar os países a fazerem grandes mudanças nos documentos oficiais: tire (do currículo) aquele anosuper stars slottrigonometria, você não precisa dele.

A maioria dos países tem medosuper stars slotse livrar dessas antigas disciplinas e não percebe o impacto negativo que isso temsuper stars slotseus alunos. Precisam pensar com mais coragem sobre a questãosuper stars slothabilidades e competências.

Tantas crianças nas escolas são tão passivas, absolutamente desengajadas, desmotivadas, e isso faz mal a elas. Estamos treinando-as a pensarsuper stars slotum modo linear e achatado, que não as prepara para o mundo. É mais crucial do que nunca pensarsuper stars slotcomo romper esse ciclo.

super stars slot BBC Brasil - Vivemossuper stars slotuma épocasuper stars slotque ideias podem ser reforçadas por super stars slot fake news super stars slot (notícias falsas) e por algoritmos que conseguem expor usuáriossuper stars slotredes sociais a conteúdos selecionados. Como ensinar pensamento crítico nesse ambiente?

super stars slot Groff - É um ótimo exemplosuper stars slotcomo, se colocamos as criançassuper stars slotambientessuper stars slotaprendizadosuper stars slotque elas não são desafiadas a controlar suas próprias decisões, elas nunca vão refletir sobre essas questões.

Você quer que as crianças vão à escola para simplesmente obedecer e entrar na fila, ou quer um ambiente fértilsuper stars slotque elas floresçam como agentes no mundo?

Você não pode esperar que,super stars slotum ambientesuper stars slotque as crianças têmsuper stars slotapenas obedecer, aprendam a ser cidadãos engajados e conscientes.