Projeto venezuelano usa ex-delinquentes contra a violência:aposta ganha telefone

Dezenasaposta ganha telefonetentativas do governo não foram suficientes para acabar com a violência.
Legenda da foto, Dezenasaposta ganha telefonetentativas do governo não foram suficientes para acabar com a violência.

Terceira cidade mais perigosa do mundo

Os inúmeros "ranchos" (como são chamadas as habitações precárias na Venezuela) se aglomeram pela periferiaaposta ganha telefoneCaracas e formam um imenso labirintoaposta ganha telefoneescadas, o local perfeito para a proliferação do crime.

Petare, a maior favelaaposta ganha telefoneCaracas, com 40 quilômetros quadrados, é um dos locais mais perigosos da capital venezuelana. Segundo o Observatório Venezuelano da Violência (OVV),aposta ganha telefone2012 foram registrados 122 homicídios por 100 mil habitantes na capital.

De acordo com a ONG mexicana 'Seguridad, Justicia y Paz', com esse registro, a metrópole venezuelana é a terceira mais perigosa do mundo, perdendo apenas para San Pedro Sula,aposta ganha telefoneHonduras (169 homicídios por 100 mil habitantes) e Acapulco, no México (143 homicídios por 100 mil habitantes).

O governoaposta ganha telefoneMaduro, afetado por esta insegurança, decidiu colocar o exército à frente do "Planoaposta ganha telefoneSegurança Interna", a vigésima primeira grande operação lançada nos anosaposta ganha telefoneChávez.

Ao patrulhar áreas como Petare, os soldados, especialmente à noite, encontram com os delinquentes organizadosaposta ganha telefonepequenos bandos. A maioria dos jovens como Fernando aproveita-se da impunidade proporcionada pelas escadas escuras das favelas, para andar livremente sem serem pegos.

"Morte, prisão ou cadeiraaposta ganha telefonerodas"

Para fazer isso, Manuel Joan, um desses "delinquentes arrependidos", usa a própria experiência: "Você sabe quem está roubando e quem está a toa disposto a quebrar a lei, porque você já viveu essa vida."

"O crime só pode te levar a três lugares: à prisão, à morte ou te deixar confinado à cadeiraaposta ganha telefonerodas" é o argumento usado por Manuel para convencer os jovens.

Assim, ao ladoaposta ganha telefoneseus companheiros, Manuel trabalha na conscientizaçãoaposta ganha telefonejovens. Através da fundação ele oferece "educação, esportes e trabalho."

A açãoaposta ganha telefoneManuel é feita favela a dentro, pelas escadas e labirintos que tanto conhece, e onde a polícia não entra, porque se entrar o resultado é tiroteio.

Alémaposta ganha telefoneseu trabalhoaposta ganha telefoneconscientização e recrutamento, "El hampa quiere cambiar" faz intermediações entre grupos rivais.

"Você já sabe quem são os líderes. Queremos trazer a paz. Caso haja derramamentoaposta ganha telefonesangue, seja por uma moto ou qualquer outra coisa, trabalhamos para apaziguar", explica Manuel.

O grupo desenvolve também um projetoaposta ganha telefonecarpintaria e um oficina mecânica, para que os jovens, depoisaposta ganha telefonedeixar o crime, aprendam uma profissão.

"Nós também queremos ajudar os presos. Muitos pagaram pelo seu crime e não conseguem sair", acrescenta Manuel.

"Bienandros"

Tudo começou no diaaposta ganha telefoneque Hugo Chávez comemorou seu aniversário com uma campanha eleitoral e prometeu combater a insegurançaaposta ganha telefonePetare. Naquele dia, há apenas um ano, ele fez um apelo curioso: "Deixemaposta ganha telefoneser malandros e sejam 'bienandros' (termo criado por Chavez que significa o opostoaposta ganha telefonemal-andro). Eu falo como se vocês fossem meus filhos."

De acordo com dados do governo, ao longoaposta ganha telefone2012 na Venezuela, foram maisaposta ganha telefone16 mil homicídios, 14% a mais que no ano anterior. A taxa por 100 mil habitantes foiaposta ganha telefone54.

No entanto, o cálculo do Observatório Venezuelano da Violência (SVV) sobe para cercaaposta ganha telefone22 mil, uma taxa anualaposta ganha telefone73 homicídios por 100 mil habitantes.

Para se ter uma ideia do contraste, na Argentina, a taxaaposta ganha telefonehomicídios éaposta ganha telefone5 por 100 mil habitantes.

Assim, depoisaposta ganha telefonemaisaposta ganha telefone20 grandes planosaposta ganha telefonesegurança, Chávez decidiu apelar diretamente aos jovens que são os responsáveis pela ondaaposta ganha telefonecrimes.

Naquele dia,aposta ganha telefonePetare, pelo menos parte desses jovens estava escutando. "Por que não seguiríamos esse chamado. Ele estava nos dando uma chance. Nenhum outro presidente havia pedido aos delinquentes que se tornassem ex-delinquentes," diz Manuel.

Foi então que ele decidiu começar a fundação "El hampa quiere cambiar".

Segunda chance

Carlos, que também foi resgatado pela fundação, disse à BBC como ele começou a roubar antesaposta ganha telefonecompletar 13 anos.

"No meu caso, eu entrei para o crime por ter uma moto. No meu grupo éramos 16, mas hoje só três estão vivos. Começamos a roubaraposta ganha telefonebecos as pessoas que iam e vinham com compras", conta Carlos.

Aos 30 anosaposta ganha telefoneidade, ele conta como é difícil a vidaaposta ganha telefoneum bairro como Petare e como é fácil se tornar um criminoso.

"Quando não se tem dinheiro, é muito fácil aceitar o convite dos grupos organizados. E quando você vê, já está estragado, e agora tem que matar o amigo, e roubar ", lembra.

No crime organizadoaposta ganha telefoneCaracas há uma certa hierarquia: "O mais velho, o que cometeu mais homicídios, o que roubou mais, o que vende mais drogas, é o líder do bando".

Carlos diz que está reabilitado, mas ele e seus companheiros, alémaposta ganha telefoneserem rejeitados pelos que se recusam a deixar a vida marginal, também enfrentam o ceticismoaposta ganha telefonemuitos venezuelanos que não acreditam a redenção seja possível para pessoas como eles.

Um oficial da Guarda Nacional, por exemplo,aposta ganha telefoneuma conversa informal com a BBC Mundo, expressou dúvidas sobre a iniciativa. "Agora eles estão se fazendoaposta ganha telefonebonzinhos, mas ainda são os mesmos", disse ele.

No entanto, Fernando rebate e diz ser justo ter uma nova chance. "Eu e meus companheiros cometemos crimes pequenos. Mas estamos aqui e não queremos mais criar problemas."

"Assim como nós conseguimos sair do crime, estamos mostrando aos jovens delinquentes que eles também podem sentar aqui e falar. Todo mundo tem direito a uma segunda chance."