Lucas Mendes: Fritando a frigideira:plataforma de aposta blaze
- Lucas Mendes
- De Nova York para a BBC Brasil
plataforma de aposta blaze No Brasil compra-se até quebrar, mas não se compra até cair. A expressão não existeplataforma de aposta blazeportuguês. Em inglês, é "to shop until you drop" eplataforma de aposta blazeNova York há brasileirosplataforma de aposta blazecolapsoplataforma de aposta blazecompras.
No Eataly, na 5ª Avenida eu sou mais reconhecido e abordado do queplataforma de aposta blazeBelo Horizonte. Alguns tiram fotos comigo sem saber meu nome.
Falamos alto. É impossível não ouvir a conversa ao lado. Compras. Uma mulher contou que sentou na privada e dormiuplataforma de aposta blazecansaço depoisplataforma de aposta blazeum diaplataforma de aposta blazeconsumo. Não caiu, mas sentou para o pipi e apagou. Foi acordada pela segurança.
Aqui tudo está mais barato inclusive a pizza e o espaguetone na frente da família que naquele dia fritou os cartõesplataforma de aposta blazecrédito e vai voltar com malas mal educadas. Pais e filhos compraramplataforma de aposta blazetudo, até milagrosas frigideiras francesas.
Uma das minhas brigas conjugais inesquecíveis foi por causaplataforma de aposta blazeuma panelona que tiveplataforma de aposta blazetrazer do Brasil, que pesava, e ainda pesa, 20 quilos. Como decoração na cozinha é linda, gigante, preta com o aro dourado. Em cima do fogo? Três ou quatro vezesplataforma de aposta blazetrinta anos.
Não quero me perder nesta história. Nossas classes A, B e a recém-chegada C vivem o furor do consumo nas lojas e na internet.
Assisto ao Bom Dia Brasil. Nossos consumidores consomem, mas têm queixas. O produto não cumpre o prometido na promoção, chegou com defeito, com atraso ou nem chegou.
Há leis e há o Procon, mas não funcionam como deveriam. Devolver o produto, brigar com o fabricante e recuperar o dinheiro estressam, consomem horas e nem sempre compensam.
E os americanos, inventores e campeões mundiais da sociedade do consumo?
São mais patéticos do que nós, emergentes deslumbrados, porque aqui há informação. No Brasil, não existe um Consumer Reports, uma publicação criadaplataforma de aposta blaze1936 e que hoje gasta US$ 21 milhões por ano testandoplataforma de aposta blazefraldas a automóveis nos próprios laboratórios e é implacável nas suas conclusões.
Consumer Reports condenou berços e carros, entre eles o AMC Ambassador e o Dodge Omni Plymouth. BMW e Grand Cherokee, da Chrysler, mudaram peças por denúncias da revista.
Fabricantes processaram e perderam. A revista tem maisplataforma de aposta blaze7 milhõesplataforma de aposta blazeassinantes, eu entre eles, um péssimo consumidor, mas que nunca comprou nada condenado pela Consumer Reports, tão rígida contra as empresas que na décadaplataforma de aposta blaze50 entrou na listaplataforma de aposta blazeorganizações subversivas com grupos acusadosplataforma de aposta blazecomunistas.
E como você traduz "Good Housekeeping"? "Deixando a Casaplataforma de aposta blazeOrdem"?
Você compraria uma revista com este título? Deveria. Vai fazer 128 anos. A maioria das revistas americanas estãoplataforma de aposta blazecrise, mas Good Housekeeping vaiplataforma de aposta blazeperfeita ordem.
Seu segredo é a credibilidade reforçada pelo "Seloplataforma de aposta blazeGarantia", criadoplataforma de aposta blaze1909 e que, há maisplataforma de aposta blazeum século, promete e cumpre.
A revista não aceita anúnciosplataforma de aposta blazeprodutos que não passam nos testes dos próprios laboratórios. Vai além. Em 1952, quando os europeus fizeram as primeiras conexões entre cigarro e câncer, a Good Housekeeping parouplataforma de aposta blazeaceitar anúnciosplataforma de aposta blazecigarros. Para anunciar na revista é preciso passar pelos seus laboratóriosplataforma de aposta blazepesquisa, um tribunalplataforma de aposta blazeinquisição sobre a qualidade do produto.
A frigideira que não frige como promete está frita. Se frigiu, recebe um Seloplataforma de aposta blazeGarantia que pode colocar no rótulo ou nos comerciais. O efeito quase sempre é lotérico.
Quando um cremeplataforma de aposta blazepele que ia mal nas vendas recebeu o selo da revista, vendeu 2,2 milhõesplataforma de aposta blazedólaresplataforma de aposta blazeapenas um dia na redeplataforma de aposta blazevendas do canal QVC.
Comprou e não gostou? Chegou com defeito ou não cumpriu o prometido? Quem reembolsa o consumidor ou manda um produto novo é a própria revista. Sem talvez.
Brasileiros, antesplataforma de aposta blazevir comprar até dormir na privada, entre no Consumer Reports ou na Good Housekeeping e pesquise até dormir ou cair do sofá.




