Jovens imigrantes 'invisíveis' têm travessia difícil rumo à Europa e destino incerto:mega da virada 2024 quadra

  • Erika Zidko
  • De Roma para a BBC Brasil
Menores imigrantes na Itália (BBC Brasil)

Crédito, BBC Brasil

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Cercamega da virada 2024 quadra6 mil crianças e jovens imigrantesmega da virada 2024 quadrasituaçãomega da virada 2024 quadrarisco chegaram à Itália desde o início do ano

mega da virada 2024 quadra Com 16 anos declarados, mas aparentando ter apenas 13, o eritreu M.S. chegou à Itália há duas semanas,mega da virada 2024 quadrauma embarcação vinda da Líbia.

"Saí da minha casamega da virada 2024 quadraagosto e levei oito meses para chegar à Itália,mega da virada 2024 quadraabril", disse à BBC Brasil com a ajudamega da virada 2024 quadraum mediador cultural.

Desde então, M.S. não falou com a família. "Pedi que avisassem meus familiares que consegui sobreviver à travessia do Mediterrâneo", afirmou.

Assim como M.S., milharesmega da virada 2024 quadrajovens e criançasmega da virada 2024 quadrasituaçãomega da virada 2024 quadrarisco têm desembarcado na Itália – foram 6 mil deles desde o início do ano, dos quais 3,8 mil chegaram desacompanhados, segundo a ONG Save the Children.

Estes jovens são invisíveis para o Estado italiano, pois escapam ao controle das autoridades. M.S. não tem conhecidos na Itália e pretende chegar à Noruega. "Vou procurar um tio que mora lá e que para mim é como um pai."

Desde 2011, Roma tem um centromega da virada 2024 quadraconvivência conhecido como Cívico Zero para dar apoio a estes jovens imigrantes desacompanhados. Recentemente, outro centro deste tipo foi inauguradomega da virada 2024 quadraMilão.

O apoio dado neles vai desde serviços simples como chuveiros, refeições e máquinasmega da virada 2024 quadralavar roupa a até assistência médica, jurídica e psicológica.

Acimamega da virada 2024 quadratudo, os centros oferecem momentosmega da virada 2024 quadratranquilidade e distração após uma jornada difícil.

Financiado pela Save the Children, a estrutura recebe cercamega da virada 2024 quadra40 menores estrangeiros por dia e quase 100 novas inscrições por mês.

Também foi criado um abrigo noturno, com capacidademega da virada 2024 quadra24 leitos, que fica aberto o ano todo.

Vendendo drogas

Mohamed Keita

Crédito, BBC Brasil

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Sem a família, Mohamed Keita deixou a Costa do Marfim quando tinha apenas 14 anos

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D.H. é um adolescente afegão extrovertido que chegou ao Cívico Zeromega da virada 2024 quadraRoma há alguns dias. Ele deixou seu país há dois anos e conta que entrou na Itália pelo portomega da virada 2024 quadraVeneza, depoismega da virada 2024 quadrauma viagemmega da virada 2024 quadratrês dias embaixomega da virada 2024 quadraum caminhão, que tinha partido da Turquia.

"Fiquei estendido assim", disse o jovemmega da virada 2024 quadrabaixa estatura, simulando a posição adotada durante a travessia.

Ele diz ter vivido nas ruas, vendendo cocaína e heroína. "Dez anos atrás, perdi toda a minha família. Tenho apenas um irmão menor, que vive no Irã, e um tio que foi para a Suíça, mas não sei onde ele está ou se continua vivo", disse D.H.

No centromega da virada 2024 quadraconvivência, ele conheceu outros jovem afegãomega da virada 2024 quadra16 anos como ele. Agora, os dois se preparam para deixar o país.

"Meu futuro é hoje. Se penso no meu passado, vejo que agora eu sou feliz. Como é a vida na Itália, se eu quiser ficar aqui?", pergunta.

Outro adolescente que decidiu partir, depoismega da virada 2024 quadrater perdido a famíliamega da virada 2024 quadrauma guerra, é Mohamed Keita,mega da virada 2024 quadra20 anos.

Ele deixou a Costa do Marfim quando tinha apenas 14 e levou três anos na viagem até a Itália.

Pessou por Mali, Argélia e Líbia, onde esteve preso por cinco meses até conseguir fugir.

"Éramosmega da virada 2024 quadra13 pessoas no caminhão na travessia do deserto. Evitávamos passar por estradas e por vilarejos por causa da guerra e por medo dos rebeldes", disse.

De lá, foi para Malta, onde permaneceu por um ano até conseguir embarcar para a Sicília,mega da virada 2024 quadra2010.

Dificuldades

As dificuldades não terminaram para Keita commega da virada 2024 quadrachegada à Europa.

Pouco depoismega da virada 2024 quadrater desembarcado na Itália, ele foi erroneamente identificado como maiormega da virada 2024 quadraidade. Como consequência, recebeu uma ordemmega da virada 2024 quadraexpulsão e foi acusado por crimemega da virada 2024 quadrafalsidade ideológica.

O marfinense viveu por três meses na ruasmega da virada 2024 quadraRoma, dormindo nas calçadas próximas à estação central, até ser abordado por um voluntário da organização Save the Children.

Keita recebeu assistência legal, foi encaminhado para um abrigo da prefeitura e fez novos amigos. Entre as ofertas recebidas, uma delas é especial.

"Ganheimega da virada 2024 quadrapresente uma máquina fotográfica descartável para registrar a minha casa. Fotografei uma mochila e uma sacola plástica apoiadas sobre um papelão", diz.

A partir daí, passou a retratar outras pessoas que viviam na mesma condição que ele e, pouco depois, amega da virada 2024 quadramostra "J’habite Termini", com imagensmega da virada 2024 quadramoradoresmega da virada 2024 quadrarua da estação centralmega da virada 2024 quadraRoma, foi expostamega da virada 2024 quadraNova York.

Hoje, Keita frequenta o ensino médio, trabalha como porteiromega da virada 2024 quadraum hotel e continua a fotografar os habitantes da cidade.