Lucas Mendes: Barbara Walters, do começo ao fim:apostas da blazer

  • Lucas Mendes
  • De Nova York para a BBC Brasil

apostas da blazer 83 anos. Alerta, passo firme, telegênica. Uma das mulheres mais afluentes e influentes da televisão americana, Barbara Walters vai sair do ar daqui a um ano. Ou quase.

Não fará mais programas semanais, entre eles seu View, que criou e foi modeloapostas da blazerSaia Justa e tantos outros. Nem terá participações regulares na ABC, mas vai continuar a dar as carasapostas da blazerprojetos especiais.

"Quero ter mais tempo para cheirar as rosas", foi uma das razões que levaram Barbara a tomar a decisão que começou a matutar quando fez 70 anos.

Nossas vidas, alémapostas da blazeruma válvula aórtica suspeita, têm pontos comuns. Poucos. Quando a carreira dela deu uma guinada extraordinária e Barbara se tornou a primeira mulher a apresentar um jornalapostas da blazerrede eu levei a primeira bronca da minha carreira, que começava na rede Globo.

Minha editora-chefe, Alice Maria, mais tarde querida amiga, me mandou um fax cobrando o furo que eu tinha levadoapostas da blazeroutra amiga já querida, Sonia Nolasco, na época casada com Paulo Francis e correspondenteapostas da blazerO Globo. Uma entrevista com Barbara Walters.

Sonia teria conseguido a entrevista que ninguém conseguia. Quando foi contratada pela rede ABC, por US$ 1 milhão por ano, então o salário mais alto do jornalismo americano, Barbara queria se livrar do estigmaapostas da blazercelebridade entrevistadoraapostas da blazercelebridades. Nadaapostas da blazerentrevistas, badalaçõesapostas da blazercolunas sociais e fotosapostas da blazerfestas. A imprensa "séria" acusava a rede ABC, com a co-âncora Barbara,apostas da blazertirar a seriedade dos jornais.

Sonia conseguiu permissão para ir ao set do estúdio acompanhar uma apresentação dos bastidores. Mandou a matéria, usou algumas citaçõesapostas da blazerBarbara conversando comapostas da blazerequipe e o jornal deu destaque à "entrevista" que a própria Sonia disse não ter acontecido.

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A carreiraapostas da blazerBarbara e a minha foram adiante, a dela com mais dólares do que a minha. A contratação da entrevistadora e ex-apresentadora do programa matinal Today, da NBC, era parteapostas da blazerum plano maior do novo chefão do jornalismo, Roone Arledge, para tirar a ABC do distante último lugar. Até então, ele revolucionava as coberturas esportivas na rede ABC, com os melhores salários e novas tecnologias. Quando assumiu o jornalismo, achou que podia transformar jornalistasapostas da blazerestrelas campeãsapostas da blazeraudiência.

Houve um derrameapostas da blazerdólares numa épocaapostas da blazerque o maior dos âncoras, Walter Cronkite, no finalapostas da blazercarreira, ganhava US$ 650 mil por ano.

O planoapostas da blazerRoone deu certo. Não foi com a rapidez que ele queria, mas a rede, mesmo sem Barbara na ancoragem, saltou para o primeiro lugar. A química entre ela e o veterano co-apresentador não deu certo.

Depoisapostas da blazertrês anos ela saiu para apresentar outros programas e especiais que deram prestígio e fortuna à rede. Nem Oprah entrevistou pessoas tão relevantes. O raioapostas da blazeraçãoapostas da blazerBarbara eraapostas da blazer180 graus, várias entrevistas com líderes políticos tiveram repercussão mundial.

Até a décadaapostas da blazer70, o jornalismo televisivo dava prejuízo. Os presidentes das redes batiam no peito e anunciavam com orgulho que prestavam um "serviço público". Com jornalistas milionários e célebres, a chegada do videoteipe, satélites e escritórios espalhados pelo mundo, os gastos das redes e o faturamento com os comerciais se multiplicaram.

Era também o começo da televisão por assinatura, que até então era usadaapostas da blazeráreas rurais para melhorar a qualidade da imagem. A CNN nasceuapostas da blazer1980. Na décadaapostas da blazer90, surgiu a internet.

Foi neste períodoapostas da blazerinfluência, prestígio e salários altos dos jornaisapostas da blazerrede que começou a lenta quedaapostas da blazeraudiência, não só dos jornais, masapostas da blazertoda a programação e a ascensão das TVs por assinatura.

A trajetóriaapostas da blazerBarbara Walters vai do berçoapostas da blazerouroapostas da blazerjornalismo aos picosapostas da blazeraudiência e à decadência. Não só do jornalismo.

As redes abertas estãoapostas da blazerperigo. A queda da audiência parecia contida e às vezes até revertida, mas as quatro grandes redes, no último inverno, tiveram uma quedaapostas da blazeraudiênciaapostas da blazer17% na faixa dos 18 aos 49 anos, a mais importante para os anunciantes. Foi a maior na história.

A CBS foi a que menos perdeu na nobre faixa etária, mas está num ar um novo perigo: o Aereo. Com suas antenas, captura os sinais das redes abertas e os joga na internet.

A CBS reagiu com processo porque Aereo cobra pelo serviço, mas, por enquanto, perde nos tribunais. Uma opção dos canais abertas é tirar o sinal do ar e transmitir por cabo e satélite. O impensável está nas mesas.

Muitos shows e programas das redes hoje mendigam por 5 milhõesapostas da blazertelespectadores. Nos 60 e 70, shows semanais davam audiênciasapostas da blazer50 milhões. Anunciantes correm para a TV por assinatura, onde algumas séries ja passam dos 7 milhões.

Quando fez 80 anos, mesmo sem sintomasapostas da blazerfraquezas e outros problemas associados a válvulas esclerosadas, Barbara Walters trocou a podre por uma nova. Vai cheirar muitas rosas e poderá mandar coroas delas para o enterro das redes.